A "reformulação" da lei de Moore

Em mais um texto interessantíssimo, o Storage Mojo traz uma reflexão muito pertinente ao momento em que vivemos em termos de evolução computacional.

Ele mostra que, apesar de continuar valendo "ao pé da letra", ou seja, continua mantida a escrita de dobrar a quantidade de transistores num mesmo chip a cada 18 meses aproximadamente, mas isso não significa dobrar o desempenho do sistema. Não mais. Isto porque chegamos a um limite tecnológico no que diz respeito ao aumento na velocidade dos processadores. É fácil notar como a "corrida pelos gigahertz" deixou de ser assunto rotineiro na mídia especializada. Hoje o foco está em outros aspectos.

 

O Robin pontua ainda que 256 bits é o tamanho máximo de palavra/registrador utilizável de forma prática, e que aumentar o cache do processador também esbarra em limites que reduzem os ganhos de desempenho.

Assim, segundo ele, sendo possível colocar mais transistores, mas não sendo possível aumentar o clock do processador na mesma proporção, foi necessário pensar em outras possibilidades. E a mais natural delas foi aumentar a quantidade de processadores num chip, fazendo surgirem os multi-cores que já são commodity hoje. Problema resolvido, certo ? Errado!

A simples adição de mais núcleos não garante mais desempenho, por uma razão muito simples: as aplicações não estavam (e ainda não estão) preparadas para lidar com vários núcleos, exceto em casos específicos. Isso significa que, na prática, o ganho de desempenho que uma máquina com dois ou três núcleos oferece sobre uma "monocore" são relativamente reduzidos, e definitivamente não correspondem ao dobro ou triplo do desempenho, como seria desejável.

Diante deste cenário, observamos, segundo ele, uma mudança na estratégia comercial das empresas, que precisam vender seus produtos e que não podem mais usar o aumento de desempenho como chamariz, ao menos não como faziam antes. Assim, houve um deslocamento do foco para outras características, como consumo de energia, redução do tamanho dos equipamentos e do seu custo.

Entendo que é preciso investir nas aplicações, que devem fazer uso mais efetivo dos recursos de hardware abundantes que hoje dispomos. Pensar que temos hoje no smartphone a mesma capacidade de processamento e armazenamento que um computador de 2, 3 anos atrás, mas que as aplicações continuam limitadas e de certa forma "burras", é frustrante.

Os fornecedores lançam suas aplicações cada vez mais cedo, o conceito de aplicação "pronta" é cada vez mais relativo, e passamos de usuários a beta-testers sem perceber.

Do ponto de vista da infraestrutura, acredito que seja a área que tira maior proveito dos múltiplos núcleos, graças a tecnologias como virtualização e, mais recentemente, a nuvem, fazendo uso otimizado dos recursos de hardware e garantindo a otimização dos investimentos em hardware nas empresas.

Esta infraestrutura otimizada permite inclusive que empresas mantenham seu modus operandi, mantendo um modelo de desenvolvimento tradicional e retardando a mudança de paradigma necessária para criar aplicações mais eficientes e inteligentes no uso do hardware disponível atualmente.

Netbooks, tablets e smartphones ainda precisam de aplicações otimizadas para suas características, no meu entendimento. Sistemas operacionais, frameworks e aplicativos precisam evoluir para viabilizar uma experiência melhor de uso da tecnologia pelas pessoas.

E você, o que pensa de tudo isso ?

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Christian Guerreiro

Professor por vocação, blogueiro e servidor público por opção, amante da tecnologia e viciado em informação.


Ensino a distância em Tecnologia da Informação: Virtualização com VMware, Big Data com Hadoop, Certificação ITIL 2011 Foundations e muito mais.


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