Microsoft Linux

Microsoft Linux

Ah Microsoft… Depois de elogiar tanto vocês por colocarem concorrência de verdade no mercado de virtualização e cloud, venho aqui, como fiz com a VMware lá nos idos de 2011, apontar o tamanho do impacto causado pela mudança draconiana no modelo de licenciamento do Windows Server 2016 e SQL Server 2016.

O Problema

Indo direto ao ponto, de acordo com a nova forma de licenciamento Microsoft, que deve ser adotada, obrigatoriamente, a partir da versão 2016 do Windows Server e do SQL Server, a aquisição de licenças deve ser calculada tendo como base a quantidade de núcleos, e não mais a quantidade de processadores de cada servidor físico.

Seguindo uma infeliz tendência seguida por outros fabricantes, a Microsoft quer aumentar seus ganhos aproveitando o crescimento do número de núcleos dos processadores modernos. Afinal hoje é comum ter processadores com 10, 20 e até mais núcleos.

Considerando que cada núcleo pode suportar a execução de 2 a 9 máquinas virtuais, fica fácil perceber que, com um servidor de um único processador com 20 núcleos, é possível suportar um ambiente com 40 a 180 máquinas virtuais. Uau!

Claro que a Microsoft não poderia deixar essa “oportunidade” passar, né?

Entendo perfeitamente que manter o licenciamento simples por processador pode não ser a melhor estratégia do ponto de vista da gigante de Redmond, mas entre manter o licenciamento anterior e fazer a mudança da maneira que foi feita, há uma enormidade de opções menos prejudiciais para os clientes.

Também penso que as mudanças no licenciamento são uma maneira de pressionar cada vez mais para que os clientes migrem para a nuvem. Porém a estratégia pode dar muito errado, especialmente para o segmento de clientes com estruturas enxutas, com menor poder de barganha e mais propensos a migrar para uma arquitetura economicamente viável.

Isto porque em muitos casos, a manutenção do licenciamento pode se tornar simplesmente inviável do ponto de vista financeiro.

A seguir explico porque esta mudança, da forma concebida pela Microsoft, vai numa direção muito, muito errada.

Licenciamento Mínimo!?

A Microsoft estabeleceu como licenciamento mínimo a quantidade de 16 núcleos para o Windows Server 2016. Para cada host físico!

Ou seja, caso você possua dois servidores com um processador de 10 núcleos cada, você vai ter que licenciar 32 núcleos. 60% a mais em  relação aos núcleos efetivamente existentes.

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A Microsoft alega que a licença do Windows Server 2016 é mais barata que a do Windows Server 2012, porém a mudança supera, na maioria dos casos, a possibilidade de economia pela redução de preço. Parece muito mais uma estratégia para aumentar a receita com uma suposta redução de preço, que na prática só se aplica em poucos casos.

Núcleos Físicos vs Núcleos Virtuais

Outra questão importante diz respeito à validade do licenciamento por núcleo físico, e vale até mesmo para o licenciamento por processador.

É cada vez maior o número de organizações com infraestrutura híbrida, em que há a convivência de diversos sabores de sistema operacional, e o lançamento do “Microsoft Linux” é a maior prova disso.

Sendo assim, faz realmente sentido licenciar todo o hardware, quando a carga de trabalho que roda em Windows vai usar apenas uma parte desses recursos?

Fica claro, portanto, que licenciar todos os processadores já não era lá muito justo, licenciar todos os núcleos então…

Pior ainda seria licenciar todos e mais alguns, como quer a Microsoft, conforme demonstramos no exemplo dos dois servidores com um processador de dois núcleos cada.

Não seria mais justo e correto licenciar os núcleos virtuais, ao invés dos núcleos físicos?

Por outro lado, as cargas de trabalho estão mais dinâmicas, e as soluções de nuvem híbrida já permitem aplicar o conceito de elasticidade dentro da infraestrutura local da empresa, chamada on-premise.

Assim, a quantidade de VMs em execução pode variar com o tempo, sendo necessário ter um licenciamento que permita acomodar essa dinâmica.

A situação fica ainda mais complicada com a chegada da tecnologia de container, que podem nascer e morrer numa velocidade absurda.

Poderíamos, portanto, ter um licenciamento baseado na estimativa mais precisa da distribuição das cargas de trabalho entre sistemas Windows e não-Windows.

Ou seja, se meu parque é metade Windows e metade Linux, eu licencio junto à Microsoft 50% da minha capacidade de recursos, ficando implícito o compromisso de ajustar o licenciamento caso esta distribuição mude.

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E o SQL Server?

No caso do SQL Server 2017, vale a mesma abordagem do Windows Server 2016, ou seja, licenciamento por núcleo, em pacotes de 2 núcleos, com um mínimo de 4 núcleos licenciados.

Ou seja, se tenho um banco de dados SQL Server em uma máquina virtual com apenas 2 núcleos atribuídos (2 processadores virtuais de um núcleo, por exemplo), ainda assim preciso pagar por 4 núcleos, o dobro do que seria justo, portanto.

Calculando o Prejuízo

Pra demonstrar o tamanho do prejuízo, vou tomar emprestado o exemplo do excelente artigo do Chan Ekanayake, que tratou muito bem do absurdo que essa mudança de licenciamento representa.

Então vejamos…

Suponha que você tem dois servidores físicos com VMware ESXi ou Microsoft HyperV, cada um com dois processadores de 10 núcleos.

Para licenciar o Windows Server 2012, bastaria adquirir duas licenças por processador para cada servidor, no valor de U$6.155,00 (segundo o Chan), totalizando U$12.310,00.

Com o novo licenciamento, seria necessário adquirir a cota mínima de 8 pacotes de licenças para 2 núcleos para cada servidor, de U$769,37 (1/8 da licença de Windows 2012, segundo o Chan), totalizando U$ 24.619,84.

Note como o custo dobrou!

A Solução?

Para não ser vítima deste abuso inaceitável da Microsoft, além de reclamar (que não creio vá surtir efeito), você pode tomar algumas atitudes.

Porém, devo alertar desde já, as alternativas dependem muito da disponibilidade de recursos técnicos que permitam isolar as máquinas virtuais, através das chamadas regras de afinidade do VMware ou recursos similares de outras soluções de virtualização.

A ideia é usar estes recursos para garantir que as máquinas virtuais Windows não serão executadas em hosts não licenciados, e licenciar somente os hosts que sejam suficientes para suportar as cargas de trabalho em Windows Server 2016.

Lembrando que isso é necessário somente para os sistemas Windows novos ou que venham a ser atualizados para a versão 2016. Sistemas Windows Server 2012 ou anteriores seguem o licenciamento anterior, por processador.

Assim, supondo o nosso exemplo anterior, onde há somente dois hosts, criar regras de afinidade que impeçam as máquinas virtuais Windows Server 2016 de serem executadas em um dos hosts significa, na prática, reduzir a ZERO sua capacidade de recuperação dessas máquinas virtuais em caso de falha no host licenciado.

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Obviamente, isso seria inaceitável, restando portanto a opção de pagar o licenciamento abusivo.

Note, porém, que a partir de 3 hosts, esta estratégia se aplica com maior segurança, pois seria possível licenciar 2 hosts e deixar um não licenciado, por exemplo, criando regras para impedir que as máquinas virtuais Windows Server 2016 fossem executadas neste host.

Considerando o cálculo feito anteriormente, isso significaria uma economia de aproximadamente 12 mil dólares!

Perceba, portanto, que quanto maior a quantidade de hosts, maior a economia no licenciamento ao adotar esta solução, ainda que devam ser considerados os riscos envolvidos no caso de falha de mais de um host, a título de exemplo.

Para uma análise mais detalhada das opções de solução, confira este ótimo texto do Search Server Virtualization.

Conclusão

Percebo um movimento forte de vários fornecedores e fabricantes para “empurrar” os clientes para a nuvem a qualquer custo, utilizando todas as formas possíveis de “coerção”.

Às vezes de forma mais suave, reduzindo o custo de serviços na nuvem, como é praxe da Amazon.

Outras vezes, como neste caso da Microsoft e, no passado, da VMware, de forma mais agressiva, e com implicações importantes.

A VMware foi obrigada a rever seu licenciamento e, pelo menos por enquanto, não anunciou mudanças no seu licenciamento no sentido de adotar o modelo por núcleo, seguindo com o modelo por processador. Sabe-se lá até quando.

Entendo que este movimento pode ter um efeito prático interessante para alguns fabricantes, porém há um lado perigoso, pois tenho notado uma dependência cada vez menor em relação a sistemas proprietários de propósito geral.

Ou seja, vejo cada vez menos aplicações restritas a ambiente Windows, por exemplo.

Isso significa que nunca foi tão viável migrar cargas de trabalho de Windows pra Linux, e acho que a Microsoft não deveria ignorar este fato.

Vejamos as cenas dos próximos capítulos.

O que você achou da mudança no licenciamento da Microsoft? Compartilhe suas dúvidas e opiniões comentando aqui!