Nesta mesa redonda estavam simplesmente Cezar Taurion e Roberto Cohen, além do diretor da PROCERGS e um jornalista da região, o Luiz Queiroz. As falas do Taurion e do Cohen, que pude assistir, trataram de questões importantes como a mudança de paradigma que a indústria de software vem passando nos últimos anos, e como empresas como IBM e 4HD estão lidando com isso. Muito interessante. Vamos aos detalhes.

  • Modelos de Negócio em Open Source – Tendências do mercado e visão de futuro – Cezar Taurion
    • IBM – SW proprietário + SW Livre – não são modelos antagônicos, mas complementares;
    • Open Source -> Inovação do processo de desenvolvimento -> novo modelo de negócios;
    • “O maior feito de Linus não foi a criação do Linux, mas a invenção do modelo de desenvolvimento do Linux”. A Catedral e o Bazar;
    • Modelos de Negócio Open Source
      • Android – gerar tráfego -> gerar receita com propaganda;
      • Red Hat – serviços, suporte, integração;
      • Mozilla – faturamento vinculado a uso do Google como site de busca;
      • Eclipse – IBM atua com aporte financeiro, ajudando a criar outros produtos, incluindo Rational;
      • MySQL – dual license (GPL e comercial), diz-se que o objetivo era ser vendida – funcionou!
    • Modelo tradicional de software
      • Investir para desenvolver o software, cobrar para remunerar acionistas;
    • Modelo do software livre
      • Impacto inicial: redução de receitas;
      • Resposta da indústria: redução de preços (mas há limites);
    • Competir com software livre não é interessante;
    • Valor percebido pelo mercado x Custo de P&D
      • Chega um momento em que há “excesso de funcionalidade”;
      • Investimento não recuperável;
    • O investimento da IBM de 1 bi no Linux em 2001 foi importante para a indústria do software livre
    • Amplitude de utilização -> interesse da comunidade;
    • Código aberto não é suficiente, é necessário ter padrões abertos;
    • IBM gasta ~100 milhões de dólares no Linux Technology Center;
    • Recebe de volta 3 bilhões (valor econômico do Linux), além de gerar economia com o uso em diversas áreas;
    • Disponibilizar um software com licença livre não é fácil
      • Aspectos legais (patentes, etc), tecnológicos (reescrever código, se necessário), regras para a comunidade, infraestrutura, etc;
  • Empurrando a vaquinha do penhasco – Roberto Cohen
    • Por que a 4HD abandonou sua “vaquinha” Fireman para criar um novo software de Helpdesk (Quaizer) ?
    • “É necessário aprender a abandonar produtos campeões” – Peter Drucker;
    • Paradoxo da escolha
      • 90% das iniciativas de seleção de software são abandonadas;
      • Angústia da necessidade de escolher (muitas opções, cada vez mais);
      • Depois, acha que fez má escolha;
    • Quaizer (Service Management Engine)
      • Baseado em Drupal;
      • Motor para gerenciamento de serviços;
      • Drupal suporta cerca de 150 idiomas;
      • Preencher o espaço deixado pelo OCOMON, que ficou órfão;
      • Expectativa de faturar 1 milhão no 1º ano;
      • Idéia é criar um ecossistema em torno do software;
      • http://quaizer.org.
Saiba mais...  #FISL 13: #Virtualização "na velocidade da luz" com OpenVZ

Estas palestras deixaram algumas lições importantes, na minha opinião:

  • A mudança de paradigma é inevitável, e as empresas precisam se adequar;
  • Software Livre é rentável, mas é necessário escolher o modelo de negócio adequado;

É como sempre digo: quem acha que software livre é coisa de nerds malucos fanáticos está certo, mas também é mais que isso, é uma revolução na forma de pensar o desenvolvimento de software, revolução esta que já foi percebida e vem sendo aproveitada pelas empresas mais “antenadas”.E você, continua com “aquela velha opinião formada sobre tudo”, inclusive software livre ?