A Cultura do Cancelamento

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A cultura do cancelamento

Não é segredo que os cancelamentos se tornaram uma ocorrência comum em nossa sociedade, ao ponto de se tornar um problema.

Esta tendência é visível no mundo das celebridades, onde qualquer comentário “fora de contexto” é motivo para cancelamento, embora haja casos que justifiquem uma reação significativa, mesmo uma indignação, como as recentes referências a nazismo e exploração sexual no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Para buscar as raízes desse fenômeno, entretanto, precisamos voltar um pouco no tempo, e lembrar da “era do consumidor” que vem afetando o mercado do varejo online há anos, onde os clientes têm mais probabilidade de cancelar seus pedidos do que nunca.

A difusão da cultura do cancelamento se iniciou com o poder dos consumidores nas redes sociais, que deram voz aos clientes e lhes permitiram compartilhar suas experiências negativas com outros.

Isto tornou as empresas mais conscientes do potencial de cancelamento e as levou a serem mais cuidadosas com seus produtos e serviços.

A cultura do cancelamento que temos hoje pode, de certa forma, ser considerada uma evolução no sentido de atingir pessoas físicas, e se tornou um tópico de discussão em vários setores da sociedade, incluindo a educação, a saúde e o local de trabalho.

Em cada um desses setores, há aqueles que argumentam que os cancelamentos são uma coisa boa e aqueles que argumentam que são uma coisa ruim.

O que é a cultura do cancelamento na sociedade?

Para entender melhor este movimento que vem acontecendo com freqüência na Internet, diversos especialistas têm estudado o tema e vêm expondo suas conclusões.

Há quem considere que o termo cancelamento é um pouco vago e pode ser aplicado em muitos lugares e culturas.

Políticas públicas que fazem distinção entre crimes ou não, assim como a criação e aprovação de leis, podem resultar em diferentes conseqüências, tais como penas de prisão para um usuário de drogas, ou deportação para um pedófilo.

Alguns especialistas sugerem que, embora a conversa pública leve à criação de normas sociais que nos forneçam uma estrutura para entender como outros pensam e se comportam, essas normas podem levar a comportamentos que podem ser aproveitados através de formas privadas de influência social.

O problema é que, com estas formas de pressão dos colegas, vem um grande controle: “eu o cancelo e tenho o poder de fazer isso e vou pedir que outras pessoas façam a mesma coisa”.

É  a versão moderna de apedrejamento e linchamento.

Há estudiosos que acreditam que as formas de educação que a maioria das pessoas encontra em nossa sociedade lhes dão uma falsa sensação de segurança que as leva a assumir um ambiente não ameaçador.

Nossa cultura criou um “movimento” que desvalorizou as distinções sociais e morais e levou a menos restrições ao comportamento das pessoas.

As plataformas on-line são o lugar onde nos encontramos e compartilhamos nossa experiência com os outros.

Podemos escolher o que compartilhar e com quem compartilhá-la.

Por que o cancelamento é uma questão social?

Nossa sociedade está se tornando cada vez mais dependente da tecnologia, o que resultou na difusão da cultura do cancelamento e no surgimento da “cultura do cancelamento”.

A disseminação da tecnologia também levou ao crescimento da Internet, o que nos permitiu estar mais expostos a todo tipo de informação e tomar mais decisões.

A Internet também se tornou uma forma de mídia social, o que nos permitiu tornar públicas nossas opiniões e compartilhá-las com outros.

A Internet também se tornou o lugar onde nos encontramos e compartilhamos nossa experiência com os outros.

As plataformas on-line são o lugar onde nos encontramos, compartilhamos idéias e discutimos questões importantes.

Também podemos escolher ser vistos como uma vítima ou como um participante ativo.

Na Internet, também é possível cancelar nossa experiência.

Quando surgiu a cultura do cancelamento

Ao que parece, a cultura do cancelamento teve origem com o movimento #MeToo, cujas vítimas denunciavam o assédio ou o abuso sexual vivenciado em Hollywood.

A iniciativa viralizou no Twitter em 2017.

Contudo, coisas banais, divergências naturais e opiniões contrárias (como postar que não gosta de algo muito popular ou falar mal de um cantor pop muito famoso) também pode ser alvo do ato de cancelar.

Então, em vez de promover um debate saudável sobre os temas, a cultura do cancelamento se reduz à ameaça ao emprego e às formas de subsistência (atuais e futuros) de quem é cancelado.

No lugar das críticas construtivas e do diálogo transformador, o que vemos são comentários revestidos de ofensas e acusações igualmente cruéis.

O jornalista Alisson Marques explicou que o fenômeno do cancelamento começou há muito tempo, mas em entendimentos e formas diferentes do que conhecemos e experimentamos hoje.

O fenômeno começou a ganhar força em 2017, quando houve o movimento #MeToo.

Este movimento social denunciou o assédio sexual e o abuso de homens conhecidos em relação às mulheres.

Mas hoje vivemos num período de forte influência que as “agendas sociais”, como o racismo, o feminismo, o movimento LGBTQI+, ganham mais espaço e força para apresentar seus pontos de vista e experiências.

Isabelle Bedei, jornalista brasileira, atualmente reside na Alemanha para estudar mídia digital e negócios, diz: ” a cultura do cancelamento mistura suas origens com a chamada out-culture, uma expressão que foi originalmente usada para chamar a atenção de alguém que fez algo errado ou inapropriado no local público, bem como a própria cultura do networking, sendo muito utilizada pelos ativistas para compartilhar suas opiniões com outros”.

Afinal, a cultura do cancelamento é boa ou ruim? Por que ela existe?

Enquanto a maioria das pessoas concorda que nossa cultura em geral evoluiu nos últimos 250 – 300 anos e que existem países com leis e regulamentos diferentes, a sociologia nos diz que a maior parte do debate tem a ver com se esta organização privada – a lei – pode se sustentar.

O sistema jurídico e institucional não é suficiente para lidar com as razões de certas mobilizações sociais do bem ou do mal.

A razão pela qual algumas mobilizações sociais do bem ou do mal acontecem é porque as conseqüências de outras mobilizações sociais são silenciadas.

Como exemplo, especialistas citam um caso em que uma música sobre violência contra as mulheres recebeu vários pedidos de remoção de plataformas digitais como Facebook e Google, mas sem perceber que apresentar um dossiê em favor de uma empresa privada – como o Facebook – é muito diferente de ter que fazer uma apresentação para uma estrutura administrativa maior – como o Poder Judiciário brasileiro.

Se isto acontecesse, segundo especialistas, haveria uma expansão dos direitos das pessoas de falar abertamente sobre a existência e os direitos da violência contra a mulher.

É também muito importante diferenciar aquelas lutas que são por boas causas sociais daquelas que são uma forma simples de perseguir as crenças do público censurando-as.

Algumas lutas valem o risco se resultarem em melhorias sociais, outras lutas são abusos das liberdades que tornam a sociedade livre.

Isto precisa ser debatido rapidamente na sociedade, quais são os limites de cada intervenção de cada luta.

Os efeitos podem ser uma melhoria social, fortalece a boa conduta, a educação ou outros meios para melhorar.

Algoritmo do cancelamento

A Internet é feita de algoritmos e quanto mais o nome de uma pessoa é enunciado, mais exposição e fama ela obtém, seja para o bem ou para o mal.

Isto significa que o primeiro grupo obtém uma vantagem quando seu pedido de cancelamento é recebido pelos fãs.

Viih Tube escreve sobre os dois momentos tensos de sua vida, além das críticas recebidas no processo de conseguir um emprego depois de cancelar o livro duas vezes.

Na segunda temporada do The Sopranos, um ex-sócio pessoal próximo de A. Tony Soprano é revelado como informante do FBI, seus pais estão conspirando para que Tony seja morto, e seus filhos estão surgindo em sites que catalogam as operações do FBI na máfia do Tony.

Embora eu tenha certeza de que ouvir suas reclamações e ver as críticas e deboche de outras pessoas não faça muitos de vocês felizes, elas não afetam cada uma de suas experiências de vida da mesma maneira.

No mundo de Karol, homens e mulheres são confrontados repetidamente com o fenômeno da humilhação pública.

As mulheres são freqüentemente julgadas quando se encontram pela primeira vez com homens e os homens são frequentemente rejeitados quando saem pela primeira vez com mulheres.

Embora possamos ver em alguns casos os motivos por trás daqueles que “cancelam”, vale a pena entender que existem todos os tipos de motivos diferentes que as pessoas cancelam.

Há as pessoas que decidem “cancelar” como uma forma de ser rudes, como uma forma de mostrar o quanto se importam.

Há aqueles que “cancelam” porque são infelizes, porque estão zangados por terem sido rejeitados.

Como lidar com a cultura do cancelamento?

“Estar bloqueado” nas redes sociais é um fato da vida para muitos artistas, mas é uma oportunidade real de ganhar visibilidade e criar impulso.

Algumas redes sociais são mais fáceis de administrar porque não têm um longo período legal.

O risco de escrever nelas é muito limitado.

Em vez disso, a maioria dos artistas está mais preocupada em aparecer nesses sites e construir um seguimento.

Muita gente que tem muito tempo para pensar já se deu conta de seus seguidores.

Não é apenas uma questão de algumas palavras. Trata-se de muitas pessoas que têm muito tempo para pensar.

Como uma pessoa deve lidar com a adversidade? Ele precisa fazer o seguinte:

1- Buscar ajuda para entender os fatores sociais que estão causando a dificuldade.

2- Refletir sobre as experiências que produzem rejeição na Internet.

3- Buscar a ajuda de pessoas que tenham tido problemas semelhantes.

4- Respeitar as diferenças de cada pessoa para que ela possa aceitar sua própria singularidade.

Como muitas pessoas acreditam que a cultura do cancelamento é uma forma de justiça social, o cancelamento de muitas contas de redes sociais ou o bloqueio da comunicação é um sério revés pessoal e é freqüentemente uma fonte de trauma psicológico que afeta a saúde mental dos indivíduos.

Não desanime depois de um ataque ou incidente, mesmo que a vítima tenha sido “cancelada”.

Como essas atitudes impactam a saúde mental de quem é cancelado?

Embora as celebridades não estejam isentas de serem vítimas do linchamento virtual como é o caso do comediante, ator e produtor americano Emmanuel Cafferty, há pessoas comuns que têm dificuldades para enfrentá-las e suas conseqüências na vida depois de terem sido demitidas.

Estes incidentes podem ser difíceis de lidar, pois são freqüentemente acompanhados de humilhação e podem ter um impacto negativo sobre a saúde mental.

Como a cultura do cancelamento é um fenômeno relativamente novo, ainda não está claro como aqueles que são vítimas de tal experiência irão lidar com eles. Entretanto, há alguns fatores que podem contribuir para a saúde mental das vítimas.

A Internet é um mecanismo inovador, uma ferramenta sem precedentes que pode ser útil.

É uma ferramenta que dá acesso aos dados, informações e conhecimento de outros, e nos permite colaborar e conhecer uns aos outros.

Ela se tornou uma ferramenta que é usada para destruir e humilhar os outros.

As pessoas se divertem e muitas são encorajadas a fazer ameaças e a atacar fisicamente ou ferir outras pessoas.

Os cancelamentos e o impacto do empregador da vítima

A decisão do empregador de demitir alguém pode ter implicações significativas para a pessoa afetada, incluindo a perda de um emprego, uma redução na renda e uma perda de benefícios.

Essas conseqüências podem ter um impacto negativo sobre a saúde mental das pessoas afetadas.

Além das implicações financeiras, a perda de um emprego pode ser uma fonte de estresse e ansiedade para a pessoa afetada. Para aqueles que estão no meio de uma carreira, isso pode afetar seu futuro.

A longo prazo, também pode afetar seus relacionamentos, assim como os relacionamentos que eles têm com sua família e amigos.

A lei é clara quando se trata de rescindir o emprego de alguém. Na maioria dos casos, um empregador pode rescindir o emprego de um funcionário com ou sem justa causa.

No entanto, há exceções a esta regra.