Eu parei de pagar por cursos, e acho que você devia também.
Leia até o final e entenda o porquê.
Quando eu comecei a dar aula na faculdade, achava que a coisa mais importante para um professor era o conteúdo.
Então eu estudava muito (muito mesmo!), me tornava especialista no tema da disciplina pra poder dar aula.
Recusei várias ofertas de vaga porque não me considerava especialista naquele assunto.
Mesmo sendo algo com o qual já tinha experiência presente ou passada.
Até que um dia…
Passando pelo corredor da universidade…
Ouço dois alunos conversando:
- Esse professor despeja um monte de informação na aula e a gente fica perdido
- Verdade
- As aulas dele são muito chatas
As falas podem não ser exatas, pois minha memória pode estar me traindo.
Mas o sentido foi EXATAMENTE esse.
Eu era um professor que apenas despejava um monte de conteúdo nas aulas.
Hoje, 20 anos depois, vejo como estava errado.
Conteúdo não é tudo.
Longe disso.
É preciso focar na absorção do conhecimento.
Na participação dos alunos.
Na exploração de exemplos.
De situações reais (ou próximas disso).
No desenvolvimento de projetos aplicando a teoria aprendida.
Pra que o aluno tenha algo concreto.
Prático.
Útil.
Pra que sinta que a disciplina serviu de algo.
E desde então passei a pesquisar mais.
Buscando formas diferentes de ensinar.
De encontrar a combinação perfeita…
Entre conhecimento, habilidade e atitude.
Focando no que chamo de “teoria aplicada”.
A teoria existe por um motivo.
Pois ela foi criada para resolver um problema.
Então, é preciso mostrar esse problema.
A situação que a teoria resolve.
E aí fica muito mais fácil.
Pra todo mundo.
E nessa busca, percebi que conteúdo virou “commodity”.
O conteúdo, qualquer que seja, está na Internet.
Com raríssimas exceções.
Por isso acho que não faz mais sentido pagar por cursos.
Não pague por “meros cursos”.
Porque o valor não está no conteúdo.
Mas na sua utilidade.
Na aplicação do conhecimento.
E onde isso pode te levar.
E te garanto, a imensa maioria dos cursos foca apenas no conteúdo.
Você adquire um conhecimento.
Mas não sabe o que fazer com ele.
Ou fica limitado apenas a um uso daquele conhecimento.
Como nos cursos que fazemos por necessidade de trabalho.
Aprendemos algo pra aplicar no contexto da rotina da empresa.
E só.
Mas a realidade é que há muitas formas de usar o conhecimento.
Vou dar um exemplo.
Fiz vários cursos sobre Inteligência Artificial…
Aprendi técnicas de regressão linear e logística…
Classificação com métodos Bayesianos, árvores de decisão…
Processamento de linguagem natural…
Mas de nada adiantou todo esse conhecimento.
Enquanto não encontrei o mais importante…
O PROBLEMA a ser resolvido usando essas técnicas.
E isso levou anos.
E levaria até mais tempo…
Não fosse eu ter participado de uma mentoria…
Onde várias pessoas compartilharam seus projetos…
Seus casos de uso das mais variadas técnicas.
E então percebi que precisava fazer algo além de estudar…
E então criei um grupo de IA com colegas de trabalho…
Tipo uma mentoria interna…
Compartilhávamos nossos conhecimentos…
Mas principalmente, discutíamos problemas.
Problemas que pudessem ser resolvidos com IA.
E isso acelerou demais a adoção de IA nos projetos da instituição.
Depois de 5 anos estudando e nenhuma ação concreta em relação a IA…
Cursos e mais cursos, pagos e gratuitos, no Brasil e fora…
Foi o GRUPO de discussão, com suas reuniões semanais…
Com pessoas de TI e NEGÓCIOS…
Que permitiu desenvolver 4 projetos em 2 anos.
Projetos que estão fazendo a diferença na organização.
Resolvendo problemas que incomodavam há muito tempo.
Então, pra resumir essa longa mensagem…
Quero dizer que conhecimento importa.
Mas pessoas importam mais.
Busque pessoas dispostas a ajudar.
Ajudar a encontrar problemas.
Forme grupos.
Busque mentorias.
Onde, mais que conhecimento, são compartilhadas experiências.
Experiências na solução de problemas.
Acertos e erros.
Isso faz toda a diferença nos RESULTADOS alcançados.
Aprendemos muito mais com experiências práticas do que com teorias abstratas.
Concorda comigo? Não? Responde aí!
Quero muito saber sua opinião!